Morreu nesta quarta-feira, 24 de abril, aos 93 anos, o maestro Nelson Nilo Hack, fundador e regente das orquestras de Câmara e Sinfônica Jovem do Centro Cultural Pró-Música/UFJF. O sepultamento ocorre ainda nesta quarta, no Rio de Janeiro. Morre maestro Nelson Nilo Hack, fundador e regente de orquestras do Pró-Música
A morte ocorreu em função de complicações ocasionadas pela idade do maestro. Nascido no interior do Rio Grande do Sul, o músico fez grande história em Juiz de Fora.
Por meio da assessoria de comunicação do Pró-Música, os diretores da instituição, Maria Isabel de Sousa Santos e Júlio César de Sousa Santos, lamentaram a perda do grande profissional e amigo. "A história do Pró-Música se confunde com a história do maestro Nelson Nilo Hack. Foram 32 anos de intenso trabalho dedicado às atividades de nossa instituição. Aqui ele iniciou todo o trabalho de formação de músicos para orquestra e deu início a todos os grupos orquestrais da Pró-Música, ficando à frente da Orquestra de Câmara e Orquestra Sinfônica Pró-Música durante todo este tempo. Sua competência, credibilidade e amor à música estiveram sempre presentes nestes 32 anos de convívio e foram fundamentais para o crescimento e reconhecimento conquistado pelo Pró-Música nesta área. Período em que teve a oportunidade de formar inúmeros músicos que hoje participam das principais orquestras profissionais do país. Nossa eterna gratidão por termos recebido a singular oportunidade do convívio nestas longas três décadas."
O maestro Hack dedicou 83 anos à música e foi considerado o maior maestro pedagogo do país pelo ensaísta e historiador Sylvio Lago, no livro A arte da regência. Fundador do grupo juvenil da Orquestra Municipal do Rio de Janeiro na década de 60, ele teve como aprendizes músicos reconhecidos no cenário nacional e internacional, como Paulo Bosísio, Márcio Carneiro, Antônio Menezes e Paulo Nave.
Foi regente assistente ou convidado das orquestras sinfônicas Nacional, Brasileira, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e da Filarmônica de São Paulo. Atuou, ainda, em corais, regendo o Coral do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e dirigindo o Coral do Museu de Arte de São Paulo. Esteve à frente de concertos com participação da Orquestra Juvenil do Teatro Municipal, do Coral da UFRJ e da Orquestra de São Paulo. Entre as experiências internacionais está a regência da Orquestra de Câmara Tübingen da Alemanha.
Há dois meses, o maestro Hack doou seu vasto e raro acervo de partituras ao Centro Cultural Pró-Música/UFJF. Foram mais de 280 pastas repletas de obras originais, boa parte importada, resultado de mais de 40 anos de coleção pessoal. As obras, pertencentes agora ao acervo cultural da instituição, dão continuidade ao trabalho de ensino feito pelo maestro durante todos esses anos.
Certamente não veremos isso publicado na grande imprensa. Talvez, em um outro país, onde se valoriza mais a cultura, meu avô teria seu trabalho muito mais reconhecido.
Além de maestro e professor, tocava viola, violino, piano e oboé, dedicando sua vida inteira à música clássica e formando talvez milhares de jovens músicos. Lembro até hoje, quando criança, de ver meu avô por horas, dias seguidos, transcrevendo partituras a mão para fornecer aos seus alunos.
Tenho muito orgulho de ser neto do Nelson Nilo Hack. Posso falar seu nome em qualquer lugar onde há música clássica nesse país que certamente alguém lembrará que foi seu aluno, ou que já tocou com ele em alguma orquestra ou até mesmo teve uma oportunidade na música graças a ele.
Missão cumprida, vô. Tenho certeza que vc será lembrado por muitos, por muito tempo, por divulgar e espalhar somente alegria e cultura para o povo brasileiro.
